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Amanda Neves
P S I C O L O G A 

O luto pelas amizades que se desfazem: quando vínculos importantes mudam de forma

  • Foto do escritor: Amanda Neves
    Amanda Neves
  • 1 de dez. de 2025
  • 2 min de leitura

O fim de uma amizade costuma ser subestimado socialmente. Para muitos, a ideia de “luto” só se aplica à perda por morte ou ao término de relações amorosas. No entanto, do ponto de vista emocional, o rompimento ou o afastamento de uma amizade significativa pode gerar um impacto profundo na vida psíquica, e merece ser reconhecido como um processo de luto. 



     Amizades são vínculos que se constroem ao longo do tempo por meio de compartilhamento, intimidade, afeto, identificação e história. Quando esse laço se desfaz, algo dentro do sujeito também precisa se reorganizar. É esse movimento interno que caracteriza o luto. 


Por que amizades se desfazem?


Existem muitos motivos para o afastamento, e todos podem despertar dor, confusão ou saudade. Entre os mais comuns estão: 


• Conflitos e desavenças 

Discussões acumuladas, expectativas diferentes e mágoas não elaboradas podem romper a sensação de segurança da relação. 


• Caminhos que seguem em direções distintas 

Mudança de cidade, rotina, trabalho, novo relacionamento ou qualquer transição que coloca cada um em ritmos diferentes. 


• Transformações pessoais 

Mudança de valores, amadurecimento, novas prioridades ou processos internos que fazem com que a amizade perca sentido para um dos lados. 


• Fases de vida diferentes 

Gravidez, maternidade, casamento, divórcio, sobrecarga profissional, adoecimento ou outras transições que exigem tempo e energia psíquica, nem sempre disponíveis para sustentar o vínculo. 


• Relações desequilibradas 

Quando uma pessoa passa a sustentar muito mais a amizade do que a outra, o afastamento pode acontecer como forma de proteção. 

Em alguns casos, não há briga nem ruptura explícita: apenas um silenciamento gradual que também pode doer. 


A elaboração do luto pela amizade 


Elaborar o fim de uma amizade envolve reconhecer que a dor é legítima. É um processo que inclui: 

  • nomear a perda; 

  • compreender o significado daquela relação; 

  • aceitar que alguns vínculos não seguem adiante; 

  • reorganizar a vida emocional sem a presença daquela pessoa; 

  • permitir-se abrir espaço para novos laços, quando for possível. 

A elaboração não apaga o que foi vivido. Ela ressignifica. 


Como a análise pode ajudar?


A análise oferece um espaço onde o sujeito pode compreender o impacto emocional da amizade perdida, reconhecer o que aquela relação mobilizava e elaborar o luto de forma consciente. Ao falar sobre a perda, é possível reconstruir a própria história afetiva e fortalecer recursos internos para lidar com mudanças inevitáveis na vida adulta. 

O luto por amizades não é fraqueza, é sinal de que aquele laço teve importância, profundidade e verdade. 

 
 
 

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