Construindo autonomia: o que você não aprendeu na adolescência
- Amanda Neves

- 25 de nov. de 2025
- 2 min de leitura

A transição para a vida adulta costuma ser apresentada socialmente como um marco simples e linear: completar determinada idade, assumir novas responsabilidades, fazer escolhas profissionais, cuidar da própria rotina. No entanto, do ponto de vista psicanalítico, esse processo é muito mais complexo do que parece, e envolve movimentos internos que nem sempre conseguimos nomear.
Na infância e na adolescência, grande parte das funções que organizam a existência vêm de fora: são os pais, responsáveis ou outras figuras de cuidado que definem limites, orientam decisões, regulam horários, oferecem amparo e assumem o papel de “sustentação emocional”. Ao chegar à vida adulta, essas funções precisam ser internalizadas. Ou seja, o sujeito passa a ser chamado a ocupar internamente aquilo que antes era exercido pelo outro.
Esse movimento é conhecido na psicanálise como parte dos processos de separação e individuação. Não se trata de romper vínculos com a família, mas de elaborar psicologicamente a passagem entre depender e poder sustentar-se emocionalmente.
Naturalmente, essa transição desperta sentimentos ambivalentes. É comum que jovens adultos relatem:
o desejo de autonomia acompanhado de medo;
a sensação de liberdade misturada com insegurança;
a expectativa de ser “suficientemente capaz” junto ao receio de não corresponder;
a impressão de que “já deveriam saber tudo”, mesmo diante de experiências inéditas.
Essas vivências não indicam incapacidade, mas refletem o trabalho subjetivo necessário para construir uma identidade adulta que seja própria, coerente e possível.
Tornar-se responsável por si não significa dominar todas as áreas da vida, nem viver sem dúvidas ou erros. Significa, sobretudo, desenvolver recursos internos para lidar com escolhas, reconhecer limites, sustentar frustrações e se posicionar diante do mundo com maior consciência.
É um processo gradual, singular e profundamente humano.
Como a análise pode ajudar?
A psicoterapia psicanalítica oferece um espaço onde o sujeito pode explorar essas transições, compreender seus conflitos internos, ressignificar expectativas herdadas e fortalecer sua capacidade de se sustentar emocionalmente. Através da escuta, do insight e da elaboração, torna-se possível construir uma vida adulta menos guiada pelo medo e mais alinhada ao próprio desejo.



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